AVALIANDO O IMPACTO DE UM PROJETO SOCIAL: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA JUNTO COM UMA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL

Publicado em 30/06/2025 - ISSN: 2594-5688

Título do Trabalho
AVALIANDO O IMPACTO DE UM PROJETO SOCIAL: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA JUNTO COM UMA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL
Autores
  • Laerson Morais Silva Lopes
  • Emilly Santos de Jesus Carvalho
  • Ariadne Scalfoni Rigo
  • Maria Celeste Pereira de Jesus
  • Naiane Oliveira De Souza
Modalidade
RELATO TÉCNICO
Área temática
GT07 - Gestão social, poder local e desenvolvimento territorial
Data de Publicação
30/06/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.ebap.sbap.org.br/anais/encontro-brasileiro-administracao-publica/1063320-avaliando-o-impacto-de-um-projeto-social--relato-de-uma-experiencia-junto-com-uma-organizacao-da-sociedade-civil
ISSN
2594-5688
Palavras-Chave
Avaliação Participativa; Impacto Social; Avaliação de Projetos Sociais; Organizações da Sociedade Civil
Resumo
Introdução Avaliar se organizações da sociedade civil (OSCs) geram impactos positivos não é tarefa simples. Dificultam essa análise os modelos de avaliação importados de outros tipos organizacionais e a dificuldade de captar a multidimensionalidade dos resultados das OSC. Ademais, elas dedicam grande parte do tempo para a captação de recursos e a processos ligados às atividades fins, restando pouco para a avaliação. Assim, foi realizada esta atividade junto com o Instituto Direito e Cidadania (IDC), na Bahia, para co-construção da avaliação do Projeto Trilhando Caminhos, que visa contribuir com a formação de adolescentes, de 14 a 18 anos. Atualmente, este projeto trabalha com turmas anuais. Este trabalho relata a avaliação do impacto na turma de 2024, apresentando o processo de construção, os desafios na realização e alguns dos resultados obtidos desta experiência. O contato foi iniciado em uma pesquisa de Doutorado, em que a tese resultou em uma metodologia de avaliação construída junto com organizações de um território baiano. Não tendo sido aplicada tal metodologia, o pesquisador e representantes de uma das OSCs (o IDC) continuaram em contato, com o intuito da sua utilização na avaliação. Nesta fase, revisamos e ajustamos o instrumento oriundo da tese, trazendo elementos que consideraram a especificidade do projeto Trilhando. Houve reuniões de alinhamento envolvendo IDC e pesquisadores e o instrumento de avaliação consiste em questionário semiestruturado, com cinco dimensões: ambiental, cultural, econômico, político e social. Houve a aplicação do questionário no início da turma, para captar o “Marco Zero” (Zamorano, 2023), em 05/2024. O instrumento impresso foi respondido por 43 jovens. A aplicação foi dividida em duas etapas, com intenção de deixar o momento “mais leve”, para que pudessem responder às questões com qualidade, interpretando-as corretamente. Após tal aplicação, as respostas foram lançadas no Forms. Na conclusão das atividades do Projeto, houve a aplicação do “Marco Final” com 36 jovens, adotando o mesmo instrumento, porém no formato on-line. Após isso, houve reuniões entre pesquisadores e equipe do IDC para definir a análise comparativa dos dados coletados, feitas com apoio do Excel. O relatório da avaliação será apresentado à entidade que financiou a turma do ano 2024, e resultam também em reflexões apresentadas neste. Relatos da Avaliação Embora consideradas múltiplas dimensões, constam neste resumo os principais resultados nas dimensões mais trabalhadas pelo Trilhando: a cultural e a política. Na dimensão cultural, foram considerados aspectos relacionados com a identidade dos jovens participantes do projeto. No início do projeto, apenas 9% relataram conhecer ou conhecer muito sobre si e, ao final, esse percentual subiu para 69%. Esse aumento demonstra a contribuição para o desenvolvimento do autoconhecimento. Também foi verificado um aumento na percepção dos jovens quanto à sua contribuição para as pessoas ao seu redor. Isso pode ser atribuído às atividades do Projeto, pois trabalha o fortalecimento do protagonismo juvenil, autoconfiança e engajamento social. O aumento sugere que os adolescentes passaram a internalizar e aplicar os aprendizados adquiridos, sobretudo do exercício da cidadania plena. Na comunicação com a família, embora tenha havido um leve aumento na percepção de dificuldades, observa-se um progresso na comunicação mais qualificada. Contudo, a diminuição da categoria "Satisfatória" aponta a necessidade de reforçar algumas estratégias. O dado apresentado reforça a percepção, a partir da criação de uma ambiência segura e acolhedora, em que os participantes relatavam seus desafios ligados a comunicação com os pais, afirmando não se sentirem confortáveis para falar sobre anseios, sentimentos e inquietações. Já a comunicação com colegas apresentou avanços mais consistentes, com aumento expressivo na categoria "Excelente" e eliminação das respostas na categoria "Ruim". Isso demonstra um fortalecimento das relações sociais no ambiente escolar, facilitado pela abordagem da Comunicação Não Violenta (Martinot, 2016), trabalhada no Projeto. Em se tratando da comunicação com o Poder Público, houve uma queda expressiva na categoria "Ruim" e um aumento nas categorias "Satisfatória" e "Excelente". Refletem uma evolução na capacidade dos jovens de interagir em contextos políticos formais, demonstrando segurança e assertividade. Essa melhoria é reflexo do trabalho com temas: Protagonismo Juvenil e Liderança, Direitos Humanos, Cidadania e Controle Social. Nessas, houve a oportunidade de conhecer o histórico, importância e as formas como se constroem as políticas públicas, o papel do cidadão na proposição e fiscalização das pautas públicas, entre outros aspectos. Ademais, os jovens visitaram uma sessão da Câmara Municipal de Vereadores, com direito a fala de um deles. Também foi realizada um “bate papo” com os candidatos a prefeito e vice, em que apresentaram um documento com proposições para o Plano de Governo dos envolvidos no pleito. Ainda na dimensão política, foi verificado o aumento nos percentuais de jovens que indicaram participar de organizações sociais e outros grupos sociais, de sindicatos/entidades de classe e em outros movimentos de colaboração. Reflexões Finais A avaliação já estava presente na rotina do IDC, porém sem os ritos e qualidade observada nesta experiência, com sistematização de um questionário que apontou resultados do desenvolvimento dos jovens em seus contextos sociais. Foi um avanço a utilização de ferramentas que contribuem para a melhor compreensão e análise dos dados, levando à percepção dos aspectos de melhorias das ações e as dimensões de resultados possíveis. Havia a previsão de aplicação do questionário a um grupo de controle (Jannuzzi, 2023), com contextos semelhantes em termo de idade, moradia, renda etc. Dado o cenário de redução da equipe técnica, essa realidade não foi possível, em função de que demandaria tempo para execução da estratégia de mobilização e aplicação do questionário com adolescentes distantes do IDC. Após a aplicação e análise, também foi possível perceber algumas adequações em relação às questões propostas e em relação à forma de aplicação, que se mostrou mais efetiva e ágil pelo formulário online. Encaminhamento importante em novas avaliações no IDC é a construção da Teoria da Mudança (Tsantila et al., 2023) do projeto, classificando os potenciais resultados em curto, médio e longo prazo. Nesse sentido, é possível realizar a avaliação considerando o período em que o jovem participou do projeto. Outro aprendizado é sobre a subjetividade do impacto. Alguns dos resultados do Projeto são no sentido da tomada de consciência dos jovens. Esse processo, por vezes, tem como resultado imediato apenas o reconhecimento de aspectos da sua vida. Nesse sentido, um jovem que nada sabia sobre seus direitos, pode entrar no projeto indicando que tem direitos garantidos. Porém, ao sair do projeto pode indicar justamente o inverso, o que não significa que a vida dele tenha piorado, mas apenas demonstra que o Trilhando contribuiu para que ele conheça mais sobre seus direitos e, após isso, perceba o quanto ainda lhe falta. Tal reflexão é importante para que gestores e investidores entendam que o “impacto” desses projetos é algo processual e, nesse sentido, os investimentos precisam considerar tal particularidade. Referências JANNUZZI, P. de M. Delineamentos experimentais na avaliação de políticas públicas: Usos e abusos. Estudos em Avaliação Educacional, São Paulo, 2023. MARTINOT, Annegret Feldmann. A importância da CNV – Comunicação Não Violenta na realização do processo de autoconhecimento. Revista Educação-UNG-Ser, 2016. TSANTILA, Fotini et al. Developing a framework for evaluation: a Theory of Change for complex workplace mental health interventions. BMC Public Health, 2023. ZAMORANO, Heinz Dieter Nevermann. Práticas de avaliação de projetos. Editora Senac São Paulo, 2023.
Título do Evento
Encontro Brasileiro de Administração Pública
Cidade do Evento
Ananindeua
Título dos Anais do Evento
Anais do Encontro Brasileiro de Administração Pública
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LOPES, Laerson Morais Silva et al.. AVALIANDO O IMPACTO DE UM PROJETO SOCIAL: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA JUNTO COM UMA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL.. In: Anais do Encontro Brasileiro de Administração Pública. Anais...Ananindeua(PA) Unama, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/encontro-brasileiro-administracao-publica/1063320-AVALIANDO-O-IMPACTO-DE-UM-PROJETO-SOCIAL--RELATO-DE-UMA-EXPERIENCIA-JUNTO-COM-UMA-ORGANIZACAO-DA-SOCIEDADE-CIVIL. Acesso em: 11/01/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes